A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a cegueira pode ter o risco reduzido em até 80% com a prevenção e tratamento adequados. A estimativa é que aproximadamente 500 mil brasileiros sejam considerados cegos ou sofram de cegueira.




A oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, explica que a cegueira é definida como a perda total ou severa da capacidade visual,  limitando ou impossibilitando enxergar o mundo, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato. As causas são variadas, sendo as mais comuns: catarata,  glaucoma e retinopatia diabética.


A catarata é conhecida por ser o único tipo de cegueira reversível no mundo, desde que tratada a tempo. A doença surge com o envelhecimento, causando o esbranquiçamento do cristalino -  a camada transparente do olho que focaliza a luz até a retina.


Juliana assegura que a cirurgia promove o rejuvenescimento ocular com a remoção do cristalino original, substituindo por uma lente nova. Segundo o Radar da Demografia Médica no Brasil, apenas em 2024, mais de 1,8 milhão de procedimentos foram realizados, 64% deles pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados do governo apontam que se trata do método mais realizado e com uma fila de espera com mais de meio milhão de pessoas.


Em contrapartida, o glaucoma é considerado a patologia mais causadora dos casos de cegueira, sendo originada com a elevação da pressão intraocular, comprometendo o nervo óptico. O grande risco está na característica silenciosa da doença, pois os primeiros sintomas somente são percebidos com o caso mais grave. 


A ocorrência precisa ser controlada, através de colírios ou da cirurgia chamada SLT, tão eficiente a ponto de eliminar o uso de colírios em sua maioria ou totalidade. “Entretanto, o glaucoma não possui cura e requer acompanhamento oftalmológico contínuo”, afirma a oftalmologista.


É importante alertar que, além dos fatores genéticos, a condição também está ligada à idade. O envelhecimento aumenta o risco que, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), sobe para 2%, a partir dos 40 anos e, para 6%, aos 70. Os negros e pardos estão entre os mais acometidos - em uma chance de 3,8% contra 2,1% em brancos.


Já a retinopatia diabética, ocorre entre portadores de diabetes, tratados ou não com insulina. A tendência é mais comum com alta concentração de açúcar no sangue e diagnóstico há mais tempo. O Ministério da Saúde estima que 39% do grupo, entre eles, 90% daqueles com diabetes tipo 1 e 60% do tipo 2, que sejam portadores há pelo menos 20 anos, apresentarão o problema.


Para Juliana, a melhor forma de prevenir essas doenças, capazes de provocar cegueira, é manter um check-up anual, recomendação geral, sobretudo para quem tem histórico familiar. A prevenção garante maior qualidade de vida e longevidade da saúde ocular.