A pesquisa “Neuroanatomia do clitóris” foi liderada pela pesquisadora Ju Young Lee, da universidade UMC de Amsterdam
Brasília (DF) – O clitóris é um dos principais órgãos responsáveis pelo prazer feminino e ao longo do tempo foi banalizado pelos estudos científicos. Construindo novos caminhos e conhecimentos - na contramão dos tabus e preconceitos que ainda são direcionados aos corpos que possuem vulva - um recente estudo científico realizado na Europa revelou novas descobertas sobre o nervo dorsal do clitóris, apresentando anatomia detalhada e comprovando que o seu tamanho é bem maior do que diziam pesquisas anteriores. Especialistas do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), administrado pela Rede HU Brasil, comemoram a descoberta e avaliam seus benefícios futuros.
A pesquisa intitulada “Neuroanatomia do clitóris” é liderada pela pesquisadora Ju Young Lee, da universidade UMC de Amsterdam. Os resultados obtidos pelo estudo chegam 30 anos após o mesmo detalhamento já ter sido feito com o pênis.
“Esse estudo tem um efeito histórico porque, até então, havia uma lacuna a respeito dessa região. Antes do século XX ela era tratada de forma muito ampla e agora temos um estudo minucioso”, destaca Thais Pardo, enfermeira na Unidade de Saúde da Mulher, do HUB. “Essa pesquisa mostra que o clitóris é duas vezes maior do que era apresentado nos livros de anatomia, então isso já começa a mudar. Ele é um órgão muito maior do que a gente pensa”, complementa Aline Teixeira, fisioterapeuta pélvica do HUB.
Descobertas As imagens 3D apresentadas na pesquisa mostram que a rede de nervos do clitóris se ramifica criando um formato que lembra uma árvore. Outro ponto interessante diz respeito ao fato de que pesquisas anteriores acreditavam que o nervo dorsal do clitóris diminuía de tamanho ao chegar na glande clitoriana. O estudo atual - que ainda será avaliado por pares - foi além e mostrou que os nervos dessa região possuem diâmetro que variam entre 0,2 e 0,7mm e que se ramificam em direção à superfície da glande; outros ramos do mesmo nervo se ramificam para o capuz do clitóris e o monte púbico.
“A região pubiana é realmente uma zona de prazer e é pouco explorada (...) a pesquisa vai ser muito válida para a questão do autoconhecimento e do profissional de saúde mudar o foco de como ensinar anatomia para as mulheres. Aqui no HUB trabalhamos bastante com educação em saúde”, frisa Aline Teixeira. Além disso, o estudo também mostrou que o nervo labial posterior, que pertence ao ramo dos nervos da região do períneo, inerva regiões ao redor do clitóris e os lábios.
“A glande do clitóris tem de seis a quinze vezes mais terminações nervosas do que a glande peniana. Entendemos que o orgasmo múltiplo, por exemplo, a mulher consegue ter, já o homem não porque ele entra em período refratário (...) então acaba que o conhecimento dessa anatomia ela traz possibilidades de explorar a enervação sensitiva de uma forma que a gente desconhece”, completa a fisioterapeuta pélvica.
Contribuições O estudo “Neuroanatomia do clitóris” foi feito a partir de amostras pélvicas de dois cadáveres de mulheres com 59 e 69 anos e apresenta caminhos promissores para os cuidados com a saúde íntima de pessoas com vulva. “Esse artigo é importante porque trará contribuições significativas para casos de cirurgia por causa de mutilações genitais, cirurgia de redesignação sexual [procedimento que altera características genitais para alinhar o corpo à identidade de gênero], cirurgias plásticas íntima, perineoplastia, entre outros", observa Thais Pardo.
Sobre a HU Brasil O HUB-UnB faz parte da Rede HU Brasil desde janeiro de 2013. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência. CRÉDITOS: FONTE: Aline Teixeira, fisioterapeuta pélvica do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB)
Thais Pardo, enfermeira da Unidade de Saúde da Mulher do HUB-UnB |

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