O edital Soluções climáticas a partir da base tem o objetivo de fortalecer a atuação de povos indígenas, comunidades tradicionais e trabalhadores na construção de uma transição energética mais justa
São Paulo, março de 2026. Em celebração ao Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, o Fundo Brasil de Direitos Humanos lança o edital “Soluções Climáticas a partir da Base”. A iniciativa une as frentes Raízes — Justiça Climática para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais — e Labora — Fundo de Apoio ao Trabalho Digno.
Com um investimento total de R$ 2,5 milhões, o edital selecionará pelo menos 40 organizações em todo o território nacional, destinando recursos entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para projetos que promovam a justiça climática e uma transição energética justa. As inscrições estarão abertas de 16 de março a 8 de maio de 2026.
O edital prioriza e valoriza as iniciativas que são lideradas pelos próprios grupos afetados e que atuam diretamente na luta por trabalho digno, proteção social, transição ecológica justa e direitos ao território e modos de vida, com justiça racial e de gênero. Poderão se inscrever, grupos, coletivos e organizações brasileiras, sem fins lucrativos, mesmo que não formalizadas e/ou que não tenham CNPJ.
"Ampliar e fortalecer essas soluções coletivas, construídas a partir dos territórios e do protagonismo popular, é fundamental para garantir os direitos de quem luta por justiça climática e transição justa", afirma Ana Valéria Araújo, diretora executiva do Fundo Brasil.
O edital reconhece que os impactos da crise climática, como o calor extremo, enchentes e a insegurança alimentar atingem de forma desproporcional povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, outras comunidades tradicionais e trabalhadores do campo e da cidade. Nesse cenário, a iniciativa busca fortalecer essas coletividades e ampliar a presença desses grupos em espaços de decisão colocando suas demandas no centro do debate sobre justiça climática, trabalho digno e transição justa.
Ao unir as frentes Raízes e Labora, o Fundo Brasil promove a convergência de grupos que se interseccionam, consolidando uma rede diversa de atores e soluções que atuam desde as bases até a incidência em escala global.
Divisão dos apoios: O recurso será dividido entre duas principais frentes.
Fundo Raízes: Vai apoiar pelo menos 20 organizações indígenas, quilombolas ou de comunidades tradicionais. O foco está na defesa do território, na resiliência climática e na soberania alimentar, com repasses de R$ 50 mil para cada uma.
Fundo Labora: Vai selecionar 20 projetos de sindicatos, movimentos sociais e coletivos de trabalhadores. Destinará 15 apoios para a Amazônia Legal e o Nordeste, e os outros 5 para as demais regiões do Brasil. Os valores variam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
Serviço:
- Envio de propostas: de 16 de março a 08 de maio de 2026
- Divulgação dos selecionados: 21 de julho de 2026
- Dúvidas sobre o edital: editalraizeslabora@
fundobrasil.org.br
Sobre o Fundo Brasil
O Fundo Brasil de Direitos Humanos promove a transformação social a partir da base. Criado por ativistas, atua de maneira independente e pioneira para fortalecer a sociedade civil organizada, garantindo que recursos cheguem às mãos de pessoas e comunidades que propõem soluções para as desigualdades brasileiras em seus territórios.
Ao celebrar 20 anos, a fundação consolida um legado de resistência e conquistas: mais de R$126 milhões investidos no fortalecimento de 2.300 iniciativas em todas as regiões do Brasil.
Com uma das agendas mais abrangentes da filantropia no país, o Fundo Brasil é a plataforma que apoia grupos, coletivos e movimentos sociais em mais de 15 causas como combate ao racismo, promoção dos direitos de mulheres, de jovens e crianças, dos povos indígenas, das populações das periferias e quilombos, das pessoas LGBTQIAPN+, do direito à terra, por justiça climática e transição justa.
Onde há luta por direitos e democracia, o Fundo Brasil está presente. Saiba mais em: fundobrasil.org.br.
Sobre o Labora
Lançado em 2022, o Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno é uma iniciativa criada colaborativamente pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, por Laudes Foundation, Fundação Ford e Open Society Foundations com objetivo de fortalecer a sociedade civil organizada na luta por trabalho digno no Brasil. O Labora entende que o trabalho digno para todas as pessoas é fundamental para superar as profundas desigualdades que marcam o país. Desta forma, é imprescindível para a democracia brasileira e tem como premissas a promoção de justiça racial, de gênero e climática, e a superação das exclusões baseadas em outros marcadores sociais da diferença, como sexualidade e deficiências, sem o que a desigualdade permanece e se perpetua.
O Labora também promove encontros para diálogo, mobilização e articulação entre diferentes atores da sociedade civil organizada, da pesquisa acadêmica e da filantropia, buscando impulsionar debates que apontem para possíveis sínteses e caminhos de incidência a partir dos diversos entendimentos sobre o que deve ser o trabalho digno com garantias sociais e respeito às especificidades territoriais no Brasil contemporâneo. Conheça mais sobre o projeto clicando aqui.
Sobre o Raízes
Raízes – Fundo de Justiça Climática para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais é uma iniciativa do Fundo Brasil de Direitos Humanos para apoiar a luta por direitos e por justiça climática e ambiental na Amazônia e nos outros cinco biomas brasileiros.
Com um olhar interseccional, que traz para o centro das metodologias de seleção e apoio as intersecções de gênero, raça e território. Raízes fortalece coletivos, grupos, comunidades e organizações de base por meio de apoio financeiro e técnico. Esses apoios são voltados às ações de defesa de direitos, de proteção de recursos naturais, de formação e treinamento, de articulação e participação ativa de povos indígenas e comunidades tradicionais nos debates sobre os temas de justiça climática. O Raízes também dispõe de fundos para responder rapidamente a emergências, ao mesmo tempo que atua em questões estruturantes.
Promover a justiça climática no Brasil exige reconhecer que as comunidades tradicionais e povos indígenas são guardiões da biodiversidade e protagonistas na construção de soluções locais, assim como na mitigação e adaptação dos efeitos das mudanças do clima. Fortalecer sua autonomia, respeitar seus saberes e garantir recursos adequados para suas iniciativas é caminho essencial para enfrentar a crise climática e construir um futuro mais justo, equilibrado e sustentável. Saiba mais sobre esse fundo clicando aqui.

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